| Breve Histórico da Hidroterapia |
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Diversas culturas utilizavam a água como forma de adoração mística e religiosa e em função do seu poder curativo. O início exato da hidroterapia como forma terapêutica é desconhecido, mas existem muitas evidências de sua utilização por culturas muito antigas. Existem registros de 2400 a.C. que indicam que a cultura proto-índia construía instalações higiênicas. Antigos egípcios, muçulmanos e assírios utilizavam a água para finalidades terapêuticas. Registros de 1500 a.C. revelam que os hindus utilizavam a água para combater a febre. Em todos os registros históricos das antigas civilizações japonesa e chinesa a água corrente é mencionada com respeito e adoração, além dos demorados banhos de imersão. Na cidade de Bath, na Inglaterra, por volta de 800 a.C. as águas já eram utilizadas com finalidade terapêutica. A civilização grega, por volta de 500 a.C., já não via mais a água do ponto de vista do misticismo e Hipócrates começou a utilizar a imersão para combater diversas doenças. Os gregos também desenvolveram centros de banhos cuja principal finalidade era a higiene e a recreação. Os gregos foram os primeiros a reconhecer a relação entre o estado da mente e o bem-estar físico. Os romanos aperfeiçoaram ainda mais os sistemas de banhos dos gregos, destacando-se pela arquitetura, e inicialmente eram utilizados com a finalidade de higiene e prevenção principalmente de atletas. Estes sistemas de banhos evoluíram e surgiu o caldarium (banho quente), o tepidarium (banho morno) e o frigidarium (banho frio). Agora não só os atletas utilizavam a água, e os banhos tornaram-se centros para saúde, higiene, repouso e atividades intelectuais, recreativas e de exercício. Por volta de 330 a.C. a principal utilidade da água era tratar e curar doenças, e sua forma de utilização era, principalmente, através de banhos de assento e ingestão. Com o declínio do Império Romano e o início da Idade Média os banhos foram banidos e a utilização da água com fins curativos foi considerada pela igreja um ato pagão. A partir do início do século XV ressurgiu o interesse do uso da água como forma de cura. Durante os séculos XVII e XVIII não se aceitava o banho como forma de higiene, porém o uso terapêutico da água aumentou gradualmente. O médico alemão Sigmund Hahn, no início dos anos de 1700, defendeu o uso da água para problemas médicos e com isso surgiu uma disciplina médica denominada Hidroterapia. Alguns médicos na Inglaterra, França, Alemanha e Itália promoveram a hidroterapia no tratamento de muitas doenças, mas nessa época a maioria dos médicos estava interessada em diagnosticar as doenças e não trata-las. Além de tudo a hidroterapia era considerada uma terapia natural, o que diminuía sua credibilidade perante os médicos. Em 1697 o médico inglês Sir John Floyer publicou um trabalho intitulado “Uma investigação sobre o uso correto e o abuso de banhos quentes, frios e temperados”. Este estudo foi o marco inicial da Hidroterapia científica. Seus ensinamentos receberam pouco apoio na Inglaterra, mas influenciaram um professor alemão chamado Friedrich Hoffmann. Através deste professor os ensinamentos foram levados para França e o médico inglês Dr. Currie pode escrever trabalhos a respeito da Hidroterapia dando uma base científica através da experimentação. Os trabalhos de Currie não eram bem aceitos na Inglaterra, mas tiveram boa repercussão na Alemanha. Em 1747 John Wesley publicou um livro intitulado “Uma maneira fácil e natural de curar a maioria das doenças”, que enfocava a utilização da água como um meio curativo. Em 1779 outro médico, Dr. Wright, publicou suas observações a respeito do uso do frio no tratamento da varíola, e subseqüentemente empregou este método para outras enfermidades febris. Ele estimulou o Dr. Currie a estudar ainda mais sobre os efeitos do frio, mas a comunidade médica da Inglaterra ainda não aceitava esses métodos. Em 1830 um camponês chamado Vicent Priessnitz desenvolveu um tratamento com utilização de água fria e exercício vigoroso. Como Priessnitz era considerado um prático não qualificado a profissão médica o encarava com desprezo. Enquanto os médicos o consideravam um charlatão, ele se dizia um naturopata. Apesar da falta de aceitação pela maioria da comunidade médica, alguns interessados no assunto foram conhecer o trabalho de Priessnitz de perto. E com isso ele estimulou consideravelmente o pensamento sobre a investigação científica das reações dos tecidos à água a várias temperaturas e sua reação nas doenças. Nesta mesma época um padre bávaro chamado Sebastian Kniepp modificou as técnicas de tratamento de Priessnitz alternando aplicações frias com com banhos mais mornos e até mesmo banhos quentes em segmentos corporais. Este novo método ficou conhecido como remédio de Kniepp e tornou-se popular nos países de língua alemã, no norte da Itália e nos países limítrofes da Holanda e França, e é usado ainda hoje. O médico e professor austríaco Winterwitz, estimulado pelo método do camponês Priessnitz, efetuou um estudo adicional dos trabalhos de Wright e Currie, finalmente estabelecendo uma base fisiológica aceita para a Hidroterapia. Além disso foi fundador de uma escola de hidroterapia chamada Instituto para Hidroterapia. Alguns dos discípulos de Winterwitz desenvolveram outras pesquisas importantes para determinação dos efeitos fisiológicos, servindo como base inicial para a instalação dos banhos de turbilhão e exercícios subaquáticos. Deste ponto em diante, em função da base científica que passou a se empregar no uso da hidroterapia, ela foi difundida e utilizada pela Europa e América. É importante lembrar, e esta revisão da história da água como grande remédio da natureza tem esta função, que a hidroterapia não se resume somente aos exercícios subaquáticos ou tanques de turbilhão muito usados pela Fisioterapia. A hidroterapia sob a ótica natural é muito mais do que isso, portanto é papel dos profissionais que trabalham com esta hidroterapia natural mostrar suas formas de atuação e divulgar as pesquisas que estão realizando, aproximando assim a comunidade desde outro paradigma. Texto elaborado por Tiago Costa Baptista |


